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quinta-feira, 04/07/2019 - 7:12

Rio de Janeiro exporta 42% da mão de obra com ensino superior


Enquanto população ocupada tem maior escolaridade, desemprego no estado supera marca nacional no primeiro trimestre

O Rio de Janeiro está exportando sua mão de obra qualificada para outros estados do Brasil. Do total de fluminenses com educação superior, 42% emigraram de 2013 a 2015. Em contrapartida, 21% das pessoas que vieram para o Rio têm ensino superior. O diagnóstico foi produzido pelo economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor no Insper, Ricardo Paes de Barros, sobre a situação educacional do estado.

Ainda segundo o estudo, o Rio de Janeiro está entre as unidades federativas em que a população ocupada tem maior escolaridade, perdendo apenas para o Distrito Federal e São Paulo. Formado em engenharia de produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o carioca Henry Dias, de 25 anos, morava em Vargem Grande, bairro da zona oeste, quando foi efetivado na empresa que começou como estagiário.

“Apesar da maior parte da área de negócios da empresa ser no Rio, fiz um processo para uma vaga nova, uma espécie de promoção, e era pra São Paulo”, conta o jovem que atua na área de mercado financeiro e desde abril mora em Pinheiros, na capital paulista. Para Dias, apesar da baixa no mercado para as engenharias, a versatilidade contribuiu na busca por emprego. 

Desemprego

Na avaliação do economista e professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE/UERJ) Bruno Sobral a qualificação sozinha não gera desenvolvimento quando está desarticulada de uma visão estratégica do sistema produtivo. O professor sugere políticas públicas de emprego mais voltadas às demandas regionais. 

“A oferta não gera a própria demanda. Se a pessoa qualificada não tiver um ambiente que garanta a ocupação, ela vai buscar locais onde consiga. Mas nem todos podem. Se descermos o nível de qualificação, as pessoas estão presas no territórios, às vezes sem capacidade de se locomover dentro da própria região para procurar emprego. E isso acentua um problema social”, destaca.

Em tempos de crise, a taxa de desocupação no Rio superou a marca nacional de 12,7% no primeiro trimestre deste ano e atingiu mais de 15% da população, segundo últimos dados do IBGE. “O governo tem que ter prioridade na geração de emprego, não ficar preso ao discurso da austeridade de cortar recursos. É muito difícil equilibrar as contas públicas no cenário de recessão, que está baixando a renda e logo baixando a arrecadação”, complementa Sobral. 

Atualmente desempregada, Jessica Ribeiro, de 24 anos, decidiu se mudar do Rio para Juiz de Fora (MG), cidade natal da companheira Karoline Oliveira, de 21, estudante de enfermagem. Jessica não concluiu a faculdade de pedagogia no Rio por questões econômicas e de identificação com o curso. Ela conseguiu um trabalho temporário no fim do ano mas relata dificuldades de se recolocar no mercado. 

“Em comparação com o Rio a gente pensa que estaria sendo muito pior, até pelas condições políticas. É desanimador o desemprego no Brasil todo mas o Rio reflete muito a política nacional sendo uma grande capital. Mesmo achando que aqui seria um lugar muito melhor pra viver até que tem sido um pouco difícil”, comenta.

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