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SITRAMICO - RJ
Sindicato dos Trabalhadores no Comercio de Minérios
e Derivados de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro.
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Pautas

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BR | Financiamento coletivo contra o desmantelamento do Sistema Petrobras

 

Com a finalidade de obter recursos sem sobrecarregar os (as) trabalhadores (as), o SITRAMICO-RJ abriu uma campanha no site https://www.catarse.me/ para financiar as ações contra a venda da BR e da Liquigás. Os valores serão usados para apoiar as atividades dos trabalhadores contra a privatização dessas duas empresas, que são tão importantes para a população brasileira.  A ação facilita a doação por parte de apoiadores da causa que não concordam com a privatização, além dos trabalhadores da própria empresa e do Sistema Petrobrás.

Como doar:

  1. Acesse: https://www.catarse.me/
  2. Busque: “Campanha contra a Privatização da BR e Liquigas”
  3. Clique em “Apoiar este projeto”
  4. Digite o valor da sua doação (pode ser qualquer quantia acima de R$10)
  5. Preencha seus dados pessoais
  6. Selecione a forma de pagamento da sua doação. Pode ser no cartão ou boleto bancário.

Vale ressaltar que a ação foi feita por iniciativa de dois aposentados que se dispuseram a abrir a conta para viabilizar o movimento.

Mostre seu comprometimento com o Brasil e apoie essa iniciativa!

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A quem atende o desmonte do Sistema PETROBRÁS?

Projetos de lei, redução drástica no preço do barril de petróleo e destruição da imagem da maior estatal do país

C

erca de 90% das reservas petrolíferas do mundo pertencem ao Estado, sendo exploradas por empresas estatais, que controlam aproximadamente 73% da produção, atuando em regime de monopólio ou quase monopólio sobre os recursos de seus países.

O papel do Estado é central para a política energética em geral e, em particular, no setor de petróleo, servindo para coibir o poder econômico dos grandes oligopólios, garantir a exploração não-predatória das jazidas e defender o interesse da coletividade, além de atuar de forma estratégica, militar e economicamente, controlando o suprimento de petróleo e derivados.

Por que a PETROBRÁS Distribuidora ou BR, como é carinhosamente chamada pelo povo, foi criada?

 Antes dela, a PETROBRÁS só era visualizada por poucas pessoas, de poucas cidades litorâneas, como um navio ou plataforma em alto mar. A BR foi criada para que a PETROBRÁS passasse a existir fisicamente para o brasileiro, com postos de gasolina na esquina de qualquer cidade, que o brasileiro vê diariamente e com o qual muitos se relacionam pessoalmente toda semana quando reabastecem o carro. Assim, a Petróleo Brasileiro passou a adotar a marca BR para se fortalecer.

Outra razão é que qualquer grande petroleira do mundo possui uma distribuidora acoplada a si em sua estrutura. Ficava “capenga” a PETROBRÁS ser, tão somente, uma prospectora de petróleo sem a parte de distribuição de derivados. Isso foi decisivo para valorizá-la quando lançou suas ações no mercado de capitais.

A BR é a própria “PETROBRÁS” para o povo brasileiro, pois é nela que a população reconhece fisicamente e visualmente a PETROBRÁS no seu dia a dia, uma vez que as demais atividades da PETROBRÁS não estão presentes na vida dos brasileiros como os postos de combustíveis da BR. Portanto, o plano de vender a BR busca simplesmente tirar a “imagem” da PETROBRÁS da cabeça da população! Tornando, obviamente, muito mais fácil rebaixar a PETROBRÁS a apenas uma empresa fornecedora de matéria-prima, com baixo valor agregado, o que prejudicaria a nossa hegemonia e comprometeria o crescimento do Brasil.

Os resultados da BR falam por si

Somado a isso, há, também, outro aspecto atuando fortemente no interesse do mercado pela BR, um “braço” extremamente lucrativo da PETROBRÁS. Afinal, mesmo em meio a todos os processos decorrentes da Lava-Jato, a empresa obteve lucro líquido na ordem de 3 bilhões reais no período de 2013 e 2014! E, no ano de 2015, apenas apresentou prejuízo de R$ 1,2 bilhões por considerar “contabilmente” o débito das térmicas, na ordem de R$ 2,6 bilhões, cuja negociação não conseguira concluir a tempo de fechar seu balanço (talvez, forçada pelos próprios interessados em vendê-la). Caso tivesse conseguido, a retirada desse montante das térmicas do balanço reverteria o prejuízo apontado para um lucro da ordem de R$ 1,4 bilhões! E temos que lembrar que em 2002 antes dos governos Lula e Dilma o lucro da BR não saia da casa dos R$ 600 milhões.

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O grande perigo

Há, por fim, um grande trunfo na escolha desses ativos para privatização. Sabemos que as atividades de exploração e produção de petróleo possuem um alto risco associado e uma necessidade de investimentos e imobilizados de grandes proporções. Mas, no caso da BR, o risco da atividade comercial é baixo, já que o mercado de venda de combustíveis está consolidado e o consumo de derivados do petróleo brasileiro cresceu significativamente nos últimos 12 anos.

Por outro lado, o ativo imobilizado estratégico necessário para operacionalizar a BR é reduzido, uma vez que mais de 90% dos seus postos de gasolina são de terceiros. Logo, comprar a BR é um excelente negócio para qualquer investidor estrangeiro que procura, num mercado de distribuição de derivados do petróleo maduro e robusto: baixo risco, alta rentabilidade e quase nenhuma necessidade de investimentos em imobilizados.

Com a BR privatizada os impactos sobre a vida de toda população seriam muito sérios e graves.

O Governo perderia o controle da inflação. É a BR que consegue controlar o preço final dos combustíveis e, consequentemente, a inflação interna. Sem ação do Estado através de uma distribuidora estatal, o combustível ficará mais caro e, por consequência, a luz, alimentação, eletrônicos, entre outros produtos, que também ficarão mais caros.

É também a BR que vai onde nenhuma outra distribuidora vai. Leva combustível de qualidade para todas as regiões, desde as mais desenvolvidas até as mais longínquas e inóspitas, pois, tem responsabilidade social com o Brasil e com o povo brasileiro. As áreas mais remotas do país, principalmente no eixo norte-nordeste ficarão sem abastecimento de combustíveis, afetando, inclusive, as localidades que utilizam termoelétricas. Sem a BR como a população do norte e nordeste será abastecida sem pagar preços exorbitantes pelo combustível?

Com a BR privatizada, a PETROBRÁS não terá como escoar sua produção no caso das outras empresas distribuidoras resolverem importar petróleo refinado e a própria BR “privatizada” se juntar a elas.

Com a PETROBRÁS Distribuidora privatizada o abastecimento da segurança nacional ficará prejudicado. Isso é uma questão de soberania. Como abastecer as forças armadas com combustíveis de uma empresa estrangeira?

Outros impactos que vão acontecer são a perda de investimentos em infraestrutura de Estados e Municípios com o cancelamento do fornecimento de asfaltos e outros produtos necessários. Nenhuma outra empresa distribuidora vende para o Governo da forma como a BR faz. Por ser Estatal tem interesses no desenvolvimento do país.

Ao mesmo tempo, o que será do lucro que hoje é revertido em investimento no próprio Brasil, que irá para as mãos do mercado estrangeiro?

Em suma, sem a BR Distribuidora, a PETROBRÁS “some” fisicamente da visão dos brasileiros, deixa de existir, enfraquecendo a sua marca no inconsciente do povo, que tenderá a esquecer que ela existe, tornando muito mais fácil a sua total privatização e a venda do próprio pré-sal.

Por todo o exposto, é bem provável que muito em breve, ainda em 2016, a PETROBRÁS poderá perder os anéis e os dedos da BR, da Transpetro e da Liquigas, mas perceberá que sua mão ficou aleijada… sem elas tudo que explorar e que refinar em pouco tempo não terá serventia, e todo seu parque industrial poderá ser vendido a preço de banana.

O maior de todos os prejuízos para os brasileiros com esta privatização, entretanto, é a grande probabilidade dos preços dos combustíveis dispararem, uma vez que a nova empresa (privada e sem fim social) procuraria maximizar seus lucros. Com isso, o custo dos fretes – rodoviário, aéreo e marítimo – naturalmente subiria, o que elevaria automaticamente o preço de todos os produtos para o consumidor final. Por si só, esse risco torna a privatização da BR DISTRIBUIDORA uma tragédia, dificilmente reversível, para o povo brasileiro.

Você já parou para questionar o real interesse em quererem vender a BR, a empresa distribuidora de derivados de petróleo do Sistema PETROBRÁS? Por que uma empresa de energia, como a PETROBRÁS, pretende voltar a ser uma simples produtora de petróleo?

E por que uma PETROBRÁS, que dizem “quebrada”, sempre que lança títulos para vender no mercado, a fim de se financiar, obtém uma procura de compra muito maior que a oferta? Será que os investidores estrangeiros comprariam esses títulos se a PETROBRÁS estivesse mesmo quebrada?

Vender a BR, e ativos como a TRANSPETRO, a LIQUIGAS, entre outros, dando a desculpa dos problemas financeiros do Sistema PETROBRÁS que são momentâneos e contornáveis, é o “mote” defendido pelo mercado, em parceria com a grande mídia, com a desculpa de “salvar” a PETROBRÁS. Mas, na verdade, por traz dessa pretensa “salvação” da empresa, há um fortíssimo projeto para desmonte da cadeia de petróleo do Brasil, cujo foco está voltado para a venda da BR DISTRIBUIDORA, da TRANSPETRO e da LIQUIGAS, o que fatalmente nos regredirá à condição de “colônia explorada”.